
O bairro lisboeta da Lapa, onde se situa o hotel da Lapa, surgiu após o terramoto de 1755, à revelia do novo plano urbano do Marquês de Pombal. A falta de habitação levou ao loteamento da zona agrícola do convento pelas freiras Trinas, que facilitaram esses terrenos a gente pobre que ficara destituta. Porém, conforme Norberto Araújo, “Não se sabe por que sentença do destino” no fim do século XVIII, uma boa parte desta zona inicialmente pobre tornara-se zona favorita da nobreza “para a edificação dos seus novos palacetes. E assim, segundo o mesmo autor, ali cresceu a “Lapa da distinção no semblante e nos costumes” onde “se blasona tom”, e os seus característicos habitantes são “muito bairro da Lapa”.


O torreão onde Barbra Streisand gostava de tomar o peequeno-almoço e a respetiva suite.
O hotel da Lapa não é muito frequentado por portugueses, ao contrário, por exemplo, do Ritz cujo almoço de domingo é um favorito da classe média alta. E estão a perder quer em termos de alojamento quer de restauração, mas também no que diz respeito ai ambiente de palácio. Há várias salas que conservam a dimensão, o soalho, o teto, as pinturas, as lareiras da recuperação feita nos fins do seculo XIX sobre a construção original, profundamente ligada ao crescimento da Lapa. E até se pode dormir na suite onde estiveram o rei Carlos e a rainha Camila, ou tomar o pequeno-almoço no topo do torreão onde Barbra Streisand dormiu, e contemplar os onze mil metros quadrados de jardins luxuriantes, cursos de água e piscinas e ainda a vista deslumbrante das colinas de Lisboa, do Tejo e da outra banda, tudo sob uma luz maravilhosa.

A sala Columbano com uma dimensão incrível.

O restaurante com os lustre de vidro de Murano.

Os jardins e a piscina

Uma curiosidade: os sinais de Não incomodar e Por favor arrumar o quarto
são um laço vermelho e um laço verde.
Mas passemos ao edifício que constitui ainda hoje a base do hotel da Lapa. Nos fins do século XIX (1888-1892), na Rua do Pau da Bandeira nº2, é construído um palacete que irá ser residência dos Condes de Valença, e, ainda citando Norberto de Araújo, “possui um salão de baile decorado por Columbano” e Rafael Bordalo Pinheiro desenhou azulejos e mobiliário para este palácio que só em 1988 vem a ser modificado, após a venda pelos herdeiros do Conde à família Simões de Almeida que dali faz nascer o hotel da Lapa. Poucos anos depois o grupo Olissipo adquiriu o hotel.
A convite do hotel, reuni um grupo de pessoas ligadas à gastronomia para conhecermos a cozinha atual do chef Hélder Santos e do chef pasteleiro Vítor Gorgulho. O jantar começou no bar com ums flûte de champanhe, tostas de brioche com foie gras e pastelinhos de bacalhau. Bons princípios. A seguir, fomos para o restaurante, onde jantámos sob os lindíssimos lustres em vidro de Murano. O menu de degustação do restaurante custa o ótimo preço de 76,50 euros, igual ao aqui apresentado. As bebidas não estão incluídas.
Foi um jantar magnífico, com o ambiente de palácio a conferir um estatuto especial à nossa experiência. Menu de degustação muito equiibrado em quantidades e na escala de sabores. As harmonizações foram perfeitas e com vinhos de grande qualidade.

A mesa da esq para a dta: Mário Cerdeira, o nosso fotógrafo, Francisco Acosta da Academia Portuguesa de Gastronomia, e a mulher, Maria João, Rita Caetano, do Fugas, João Geirinhas, Grandes Escolhas, Pedro Cruz Gomes, do blog Gastrossexual, eu, o Director do hotel, e o Fernando Brandão, do Boa Cama Boa Mesa.
O Jantar com a magnifica harmonização de vinhos originários de diversas regiões do país. a refeição foi inesquecível, quer pelo trabalho do chef Hélder Santos, quer pelo ambiente magnifico do restaurante, que favorece a convivialidade. O serviço sempre presente, mas muito discreto, como se deseja. Otimo trabalho do sommelier, com abertura da garrafa de Porto com a tenaz em brasa, método que se aplica em garrafas cuja rolha possa estar deteriorada e contaminar o vinho.



As ementas, com as suas aguarelas na capa.
Quinta de Santiago, Alvarinho, 2024

Polvo com puré de batata-doce, amuse-bouche

Gambas crocantes com cogolho grelhado, molho agridoce de papaia, abacaxi e maracujá

Sopa de agrião com ovo escalfado, presunto crocante e azeite de tomate seco.

Casa da Passarela, o Oenólogo, Encruzado, 2023

Cataplana de lírio, mexilhão e lingueirão com batata-doce de Aljezur, aromatzada com coentros. os pointos de cozedura estavam todos rigorosos e o sabor a terra e mar era intenso.


Luís Pato, Vinha Pan, 2019. Foi decantado, talvez um mimo ao cliente que gosta sempre de ver estas ações.

Leitão comfitado a baixa temperatura com molho avinagrado e clementina, migas de caldo verde, feijão-frade e pão torrado em azeite. um dos prtos icónicos do restaurante, com a pele super crocante e o interior suculento. as migas são uam homenagem à regiãao do bacorinho.
Moscatel Roxo Superior, Horácio Simões, 2008

Ananás dos Açores caramelizado com gelado de abade de Priscos

Graham's Vintage com café e mignardises

No fim da refeição, uma surpresa, o chef Hélder Santos trouxe o exemplar do Cataplana Experience para eu autografar e estava como eu gosto, manuseado.