

Arinto com pôr-do-sol, uma harrmonização espetacular
A convite, fui na sexta-feira a um jantar vínico em que a Malhadinha trouxe alguns dos seus vinhos para harmonizar com pratos da Casa Velha. Situada na Quinta do Lago, foi o primeiro projeto gastronómico deste resort construído por André Jordan em 1972, sobre terreno agrícola e com o conceito de baixa densidade imobiliária e rigor arquitetónico. Hoje em dia, a Quinta do Lago tem uma gigantesca oferta restaurativa, mas a Casa Velha mantem-se uma referência. A cozinha é bem portuguesa com a modernidade criativa do chef.
A Malhadinha tem a herdade original de 80 hectares em Albernoa, Beja, e comprou recentemente 105 hectares na Teixinha, serra de S. Mamede, Portalegre. Toda a produção é biológica.
O espaço exterior do restaurante, onde jantei, é sobre uma colina com uma vista magnífica sobre o lago e o pôr-do-sol. Temperatura agradável, sem vento e sem barulho. Antes de passar à mesa, serviram no espaço da piscina, um copo de vinho branco biológico, o Arinto da Malhadinha, vinha de Terges, 2023. Combinou bem com o pôr-do-sol e com a vista espetacular.

Já na mesa do jantar, pão, manteigas dos Açores, azeitonas e um azeite virgem extra da variedade Galega da Malhadinha. Com o Arinto, comeram-se as entradas: al sibesh de robalo ( prato de peixe marinado em citrinos feito pelas mulheres árabes há muitos séculos atrás e que está na origem do ceviche peruano), fresco e muito equilibrado de sabores cuja acidez suave se repercute na acidez do Arinto. A Calçada de Cenoura inspira-se na saladinha de cenoura algarvia, apresenta-se em puré e leva grão-de-bico e especiarias. A completar este trio uma Bola de Enchidos de Porco Preto (pena não lhe chamarem porco de raça alentejana ou Ibérico) e queijo amanteigado. Este último a consumir lentamente ao longo da refeição. Aqui entrou o Quinta da Malhadinha Rosé com uma bonita cor clara (Castas: Touriga Nacional, Tinta Miúda, Baga e Touriga Franca) e sabor frutado.




A seguir veio um prato bem português do Alentejo, uma açorda, desta feita de camarão. O pão estava cremoso e bem esmagado, e permeado com o sabor dos camarões tigre. A gema vinha sobreposta, à espera de ser misturada. Uma saborosa açorda que combinou com Malhadinha Branco 2024 (Castas: Arinto, Alvarinho, Viosinho, Viognier, Chardonnay), uma das minhas duas harmonizações favoritas. E o meu vinho favorito do jantar.


Da secção das carnes, veio o borrego numa recriação do jantar de grão ou cozido de grão, prato típico do Alentejo e do Algarve. O lombinho de borrego em semi-coroa é fatiado, coberto por uma crosta de ervas e bem rosado, como é desejável,sendo acompanhado pelo puré de grão-de-bico e aromatizado pelo poejo. A emparelhar, um tinto da série Malhadinha 2023 (castas Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon e Tinta Miúda). 16 meses de estágio em barricas de carvalho francês. Aliás toda a presença da madeira nos vinhos bebidos era extremamente elegante.


A finalizar chegou a sobremesa com três elementos: dois contentores separados para misturar a gosto (um de Massa Leve e outro de ameixas e citrinos cozidos temperados com canela e flor de sal) e um copo de Malhadinha Late Harvest 2022 que mais do que complementar a sobremesa fez parte dela. A minha segunda harmonização favorita.

O jantar decorreu em bom ritmo, com um serviço muito simpático e informal. O ambiente extremamemte agradável contribui também para elevar a refeição. Parabéns à Malhadinha e à Casa Velha pela iniciativa que deu a conhecer a simbiose da comida e dos vinhos portugueses a muitos turistas e grande prazer a alguns nacionais. o preço da refeiçao com a hermonização rondou os os 120 euros..
